Familia
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
Como melhorar a relação com sua mãe
Quando a administradora Carla saiu de casa, aos 20 anos, sabia que uma fase excitante e desafiadora estava começando. Eu mal podia me conter de tanta felicidade!, lembra. Meus pais me apoiaram, mas, com o tempo, ficou claro que minha mãe não lidava bem com a ideia. Morava a apenas alguns quarteirões deles e precisava avisá-la toda vez que chegava ao apartamento. Fora que ela me comprava frutas e legumes para ter certeza de que estava comendo bem!
Resumo da ópera: Carla acabou se mudando para uma cidade próxima. Adivinhe: a mãe dela decidiu fazer o mesmo e se instalou a dez minutos da filha. Entendo a preocupação. Antes da separação dos meus pais, ela passava muito tempo sozinha, porque ele viajava sempre a trabalho. E eram momentos difíceis. Lá no fundo, acha que me sinto péssima também.
De fato, quando se deixa o lar, doce lar da família, é comum pensar na liberdade e diversão que a aventura solo reserva. O período é de egocentrismo total: onde você vai viver, como vai administrar tudo. E não poderia ser diferente, já que se trata de uma mudança gigante. Mas, embora signifique um começo, para a sua mãe representa o final: ela está sendo deixada para trás.
Discutir a relação
''Durante 20 anos ou mais, o papel da sua mãe foi o de cuidar de você, observa a psicóloga clínica Gary Banks. ''No momento em que a vê sair de casa, essa função é arrancada dela - portanto, é natural que tenha a sensação de perda e desamparo. Daí, liga frequentemente para saber como andam as coisas ou aparece sem avisar. Mas é preciso redefinir os parâmetros desse convívio. A orientação é chamá-la para uma conversa entre duas mulheres adultas. Procure deixar claro que a relação de mãe e filha não será da mesma forma como era antes, acrescenta Gary. E que ambas podem tirar muito proveito desse novo patamar! Ela não precisa mais dizer como sua cama precisa ser arrumada; e você pode fazer um esforço e compreender que ela se preocupa ção com seu bem-estar, porque quem ama cuida. Aproveite a oportunidade para começar um convívio um pouco mais adulto.
Tornar-se amiga dela
Não tenha medo de impor limites, aconselha Gary. Se ela está sendo inconveniente ao ligar na hora em que está trabalhando, diga 'Obrigada, mãe, mas se eu ficar tanto tempo ao telefone vou parecer antiprofissional. Podemos falar depois das 6?A coautora do blog postcardsfromyomomma.com Jessica Grose concorda. Ser direta é a melhor saída. Diga que a ama e sente falta de estarem juntas, mas que não conseguirá estar disponível o tempo todo. Depois que as fronteiras estiverem estabelecidas, aí, sim, curta a nova relação marcando encontros em lugares neutros, como um café, o shopping. Quanto mais tempo passarem fora da casa de vocês, melhor conseguirão se enxergar como verdadeiras amigas. Se moram em cidades diferentes, o conselho é organizar alguns encontros virtuais. Por exemplo, combinando que, na quinta à noite, entrarão no MSN ou Skype para colocar o papo em dia. Assim, ela perceberá que ainda faz parte da sua rotina - e você se libertará daquela sensação de culpa por simplesmente não morar com a mulher mais importante da sua vida!
Ciúme de filha
''Quando me mudei, meus pais resolveram fazer uma substituição cadastraram-se em um site de intercâmbio para receber estudantes de outros países. E um português de 15 anos, o Joaquim, ficou por um período de 12 meses com eles. O menino recebeu mais paparicos do que eu tive a vida inteira! Era jantar especial todos os dias, passeios, presentes... Num sábado à tarde, liguei para falar com minha mãe e soube que ela estava no museu com Joaquim - nem sequer me convidou! Fiquei me achando a mais desamparada das filhas.
Como lidar com o namoro dos filhos
É só depois desse susto que muitos pais se dão conta de que aquela sua ''criancinha'' cresceu. Rápido demais, talvez, mas a partir daí surgem dúvidas. Muitas. E que precisam de respostas urgentes e precisas.
Antes de se descabelar em preocupações, entenda o que são as tais mudanças que ocorrem com os pré-adolescentes e aprenda, com a ajuda de psicólogos, como lidar com elas.
E se o jovem passar a ter problemas na escola?
Quando os adolescentes se apaixonam, costumam achar que podem viver só de amor. É uma crença romântica, típica de quem acha que vai viver assim para o resto da vida. Por causa disso, algumas vezes a paixão provoca falta de atenção. O garoto pensa tanto na namorada que isso acaba prejudicando suas notas. Faça-o entender que o importante é o seu desempenho no colégio. A melhor solução é ter paciência, em vez de puni-lo - o que pode levá-lo a associar o castigo ao estudo. Procure estabelecer trocas: quando tiver prova, ele deve prometer que vai estudar no dia anterior.
Existe idade ideal para começar a namorar?
Não existe uma idade certa. Cada um desperta para o amor a seu tempo. Mas essa iniciação está ocorrendo cada vez mais cedo. ''Minhas irmãs deram o primeiro beijo aos 11 anos'', conta a paulista Amanda Passucci, que se apaixonou pela primeira vez aos 12. Essa precocidade já é um costume e, apesar de não ser nociva, inspira alguns cuidados. ''Você pode até se assustar se sua filha pré-adolescente largar as bonecas e engatar um relacionamento, mas certamente é porque a família abriu, de alguma forma, espaço para isso'', avalia o psicólogo Carlos Eduardo Carvalho Freire, da PUC-SP. O que se precisa, aí sim, é ficar atenta se o relacionamento tomar rumos que possam prejudicar os jovens. Do contrário, tudo bem.
O namorado não é uma boa influência. e agora?
Se você souber que a índole do namoradinho pode colocar a saúde de sua filha em risco, alerte-a. Se tiver provas de que o garoto usa drogas ou não é um bom exemplo, precisa dizer. Às vezes, para evitar uma briga, as mães preferem fingir que nada aconteceu. Porém, essa omissão não ajuda em nada. Converse com calma com sua filha e tente explicar os motivos da sua insatisfação. Deixe claro que sua atitude, muito mais do que uma forma de controlar a jovem, está ligada aos princípios e valores da família, que são muito importantes.
Ela me contou que namora, mas não quer que o pai saiba de jeito algum
Não aceite essa situação. Se sua filha confia em você mas não em seu marido, procure saber os motivos e contorná-los. Tente incentivá-la a contar ao pai. Porém, se souber que ele não reagirá bem, converse antes e o prepare. Diga que a vida mudou, que sua filhinha está crescendo e arranjará namorado logo, quer ele queira ou não. Depois de dobrá-lo, combine um prazo para que a menina revele a novidade.
Acalme-se! sentir-se desorientada é normal
Não se culpe por não saber o que fazer ao descobrir que seu filho está namorando. ''Esse é o começo de uma etapa de desprendimento dos ais'', explica a psicóloga Magdalena Ramos, também da PUC-SP. Na infância, a mãe decide tudo para a criança e sua opinião é acatada. Mas, na adolescência, os filhos procuram liberdade. O importante é você encarar como natural, sem grilos.
Devo colocar limites no namoro?
Independentemente da idade do filho, você não deve mudar os limites só porque ele começou a namorar. Se o jovem tem obrigação de ir à escola e, depois, estudar mais três horas em casa, a rotina deve continuar. Da mesma forma, se tiver liberdade para sair, mantenha a hora de voltar. ''O namoro tem de acontecer no espaço que o adolescente já tinha'', alerta o psicólogo Carlos Eduardo.
O jeito certo de lidar com o namorado da sua filha
Por mais que você fique se perguntando o que foi que a sua filha viu num garoto como aquele, mantenha a calma e aposte em uma convivência sadia. Se o adolescente quiser levar o par para casa, receba-o de braços abertos. Não precisa cobri-lo de atenções nem ficar em cima do casal a todo momento. Procure ser educada. Bater de frente com filhos, apenas por ciúme, pode prejudicar a relação de vocês. Por outro lado, vale dar dicas de métodos que evitam doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e a gravidez, como a pílula e os preservativos. O jovem não tem estrutura emocional ou financeira para manter uma criança sozinho e deve ser incentivado a cuidar da saúde.
Preserve os filhos das dores da separação
O divórcio é inevitável e o ''lar doce lar'' tornou-se um campo de batalha. E exatamente nesse momento, quando o ex-casal ainda está de luto (quando não em guerra mesmo) pelo fim do relacionamento, é preciso tomar decisões importantes, como as que envolvem a partilha dos bens e a guarda dos filhos. Um perigo, já que uma separação, sobretudo a litigiosa, pode respingar de forma danosa nas crianças. Felizmente, vão surgindo meios cada vez mais eficientes de amenizar essa etapa tão delicada na vida dos pequenos.
Questões legais: guarda compartilhada
A maior conquista nessa área é o regime de guarda compartilhada, em vigor no país desde agosto de 2008. Embora corriqueiro nos Estados Unidos e em vários países europeus, como Inglaterra e Suíça, foi recebido com desconfiança e frieza no Brasil. Hoje, vem consolidando terreno entre famílias que se desmancham. Seu trunfo: contribuir para o equilíbrio emocional da criança ao assegurar o direito tanto da mãe como do pai de compartilhar a responsabilidade parental, ou seja, de decidir e exercer em conjunto tudo o que diz respeito à vida dos filhos, como a escolha da escola.
Esse sistema, considerado um avanço do Código Civil, favorece a convivência de pais e filhos no dia a dia. Em vez das antigas visitas ou dos fins de semana, propõe que os horários de convivência se tornem mais flexíveis. ''A história de que separou e a criança vai ver o pai a cada 15 dias é um absurdo. Infelizmente, esse tipo de acordo continua vigorando, mas as coisas não têm que acontecer desse jeito'', adverte a psicóloga e psicoterapeuta Maria Thereza Maldonado, lembrando que antigas composições podem ser revistas e alteradas em juízo à luz de novas possibilidades. Na visão dela, a separação não é necessariamente traumática para os filhos. ''Isso depende da maneira como é feita e do acordo de convivência que é construído. Existem pais que trabalham muito e praticamente não veem os filhos. Quando se separam, passam a ter com eles um convívio de melhor qualidade. Mas é lógico que a separação é difícil. O desafio está em dissolver a sociedade conjugal e manter a parental funcionando de modo adequado, destaca.
Para chegar a esse tipo de partilha, que pressupõe uma negociação sólida e sensata entre os ex-parceiros, alguns obstáculos precisam ser superados. O que fazer quando um dos pais aprova a alopatia e o outro é defensor da homeopatia? Quando um quer que o filho estude numa determinada escola e o outro não? Às vezes, a ajuda de um especialista é bem-vinda. A assistente social Sheila Nogueira, 39 anos, e o ex-marido, o sociólogo Dário Silva Filho, 42, não hesitaram em recorrer à pediatra da filha, Joana, 8 anos, para chegar a um consenso com relação à alimentação da criança. Como a guarda é compartilhada e Dário não gosta que a filha consuma fast food, o veredito ficou a cargo da especialista, que, para festa de Joana, fixou alguns dias da semana para os lanches de sua preferência.
Meu filho é gay. E agora?
Seu filho não sai com garotas, é calado, tímido. Faz parte da adolescência? Muitas vezes, sim. Mas ele pode estar em dúvida sobre a orientação sexual dele.
Em pesquisa da Secretaria de Saúde (SP), a maioria dos entrevistados (71%) disse que a mãe foi a primeira pessoa da família a saber da homossexualidade do filho. Mas será que conseguiram lidar bem com isso? Segundo o psicólogo Claudio Picazio, os pais deveriam estar preparados para a possibilidade de terem um filho gay. ''Só conheci um bom exemplo de pais. Eles viram cartas de amor do filho e outro menino e me procuraram antes de falar com ele'', conta.
Segundo Picazio, os pais devem entender que o lado mais frágil é sempre o do filho, principalmente se ele for adolescente - como 94% dos entrevistados da pesquisa quando assumiram ser homossexuais. Não é fácil saber que o filho ou a filha não vão ser como a maioria. Mas, com amor, você pode ajudá-los.
Mitos sobre a homossexualidade
O psicólogo Claudio Picazio desmente alguns mitos sobre o desejo por pessoas do mesmo sexo
. Ser homossexual é uma opção (mentira)
Não há um único homossexual que faria essa escolha se pudesse. As pessoas sentem o desejo que é natural para elas.
. A culpa é da educação, do excesso de cuidado ou de rigidez que eles receberam (mentira)
Desejo sexual não se ensina nem se influencia. O que a família pode determinar são os valores que os filhos vão usar para lidar com o amor e o sexo.
. Menino sensível e menina agressiva: sinal de homossexualidade (mentira)
Isso tem mais a ver com os hábitos das pessoas com quem a criança ou o adolescente convivem e que podem estar sendo simplesmente imitados.
. Homossexuais são promíscuos (mentira)
Promíscuas são as pessoas que transam muito, sem cuidados, podendo ser hétero ou homossexuais.
Depoimentos de mãe e filho
''Meus pais são uma grande decepção na minha vida'' - Gustavo*, estudante, 18 anos.
''Meus pais sempre foram liberais. Um dia, falei para minha mãe que estava namorando um menino. Ela começou a chorar, ligou para todo mundo e contou pro meu pai. Ele gritou: 'prefiro ter um filho morto que um filho gay'. Minha mãe passou a mexer nas minhas coisas e me proibia de andar com meus amigos. Eu os amo muito, mas meus pais foram a maior decepção da minha vida.''
''Não foi minha culpa, só quero meu filho feliz'' - Virgínia*, 53 anos.
''Com 21 anos, meu filho se abriu comigo. Na hora, questionei se não tinha feito algo errado. Mas cheguei à conclusão de que não foi influência da minha criação e que aquilo não mudaria em nada a personalidade dele, que era só um homem com preferências diferentes. Eu o apoiei. Só quero que ele seja feliz. Nossa relação ficou melhor depois que ele se sentiu aliviado ao me contar.''